Dupla Face

by TuNa Punk Rock

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about

Nosso segundo LP, gravado em 2013 em nosso próprio estudio, em nossa casa.
Dupla Face tem este nome porque tráz a ideia da multiplicidade da realidade e das coisas da vida e porque está arranjado nessa simetria: oito músicas, quatro de cada lado, formando pares que abordam, de pontos de vista diferentes, não necessariamente opostos, mas diferentes, quatro temas, ou quatro temas geradores, porque cada tema tem suas outras faces, que se vão mostrando como a cara e a coroa se mostram enquanto a moeda gira no ar.
Este é um disco conceito, que tenta discutir o quanto a rigidez pode quebrar mas que com uma boa raiz podemos florescer em diversos lados, opostos inclusive.
As primeiras 100 copias acompanham um dvd, Outra Face, que mostra um pouco de como e porque gravamos este disco de forma totalmente DIY.
Capa em gatefold, com letras, punk rock...

credits

released May 4, 2013

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TuNa Punk Rock São Paulo, Brazil

Punk rock sensual, pró mistura de suor, pró intimidade, pró autoconsciência…

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Track Name: Boas razões pra NÃO queimar gasolina
Subi no selim e saí pedalando
Pra te dar um ´selim´ e ficar te abraçando
Monstrorista malvado, na má-fé me fechou
Ficou engarrafado, sem o retrovisor.

Do motor que leva ao sonho/ minha perna torneada é pistão
Ando com menos pressa/ e tô mais cedo aí
Minha bundinha empinada/ enfeita o mundo sem poluição
Não queimo gasolina/ sou movido a açaí.

Subi no selim e saí pedalando
Pra te dar um ´selim´ e ficar te abraçando
Monstrorista safado, na má-fé me fechou
Ficou engarrafado, sem o retrovisor.

Controlar meu guidon/ mesmo sem usar as mãos
Prescindir de asfalto/ buscar outras trilhas
Derrapar pro futuro/ pela contramão
Dar uso mais útil/ pra tanta gasolina:

Gasolina, garrafa, pedaço de pano!

I want to ride my bike/ ride it where i like
Você buzina preso?/ te conto um segredo:
Forget all your duties/ antes que seja tarde
Esquece o casamento:/ melhor comprar uma bike!
Track Name: O caldeirao da Sonia Hirsch
Na vida quase tudo tem remédio
Se a gente entende bem o que é isso
O que nos debilita ou vicia
Nos mata ou nos leva ao suicídio
A febre a fossa a polícia o tédio
O dinheiro e a própria medicina
Que nos fazem querer o precipício
A cura: expurgo e profilaxia

Tristeza e tosse com gengibre e prazer
Pra voz clara maçãs, e boa autoestima
Agrião e extravasar pra limpar o fígado
Pro coração: cachos de uvas e amigos

Asfalto, calçamento: todos cimentados
Endurecendo o chão e a gente
Pavimentando câncer e estresse
Remédio é picareta e semente.
fast food, prato congelado
Alimentam indústria e colesterol
Anticapitalismo e mastigar sem pressa
Comida fresca, molotov e sol

Mingau de arroz limpa o medo e as toxinas
Lágrimas e arruda pra lavar a alma e os olhos
Objetivos próprios, DIY e água fresca
Correr e depois pôr os pés de molhos

Se o que não se exercita atrofia
Nadar contra a corrente é liberdade
Viver temperatura e temperamento
Sem cérebro ou ar condicionados
Suar! Mexer! Com outra pele em contato
Abraço molhado! Externando o calor que ar de dentro

Remédio é evitar ficar doente
Produzir coisas que têm significado
Manter limpos o corpo e a mente
Remédio bom é amar e ser amado
Track Name: La vie en close
Cada gesto nosso é um flash
1/24 de segundo
Que, sem apagar o que o antecede
Se sobrepõe ao outro em um novo mundo.
A sucessão de gestos fixos no momento
Nos dá a ilusão de movimento
E a sensação de continuidade:
A vida é um cinema de verdade.
 
Então o que passou não é passado?
O que passou tá vivo e enterrado.
O gesto é eterno e você sente
Germina e frutifica igual semente.
 
Nós juntos, cena em plano geral
Coreografia improvisada de um musical.
Do alto, de onde é feita a tomada
A cada frame uma figura é formada.
Em roda, em fila ou em espiral
Mosaico de pessoas, vivo fractal
Strike a pose (vogue): spacatti ou rodada
Registro em rolo de revolução dançada
 
Então a vida é gestos decupados?
Quadro-a-quadro cujo corte não se sente?
O tempo é o entre-quadros?
O que é o que foi simultaneamente.
 
Nos closes cada qual é cada qual
Seu susto, riso, ou lágrima que cai
Angula perfis que são bons e maus
Nos closes o que está por dentro sai
 
Nos olhos, no que é rido ou é chorado
Renasce em flashback o passado
Juntando e misturando realidades
O eu de agora e os de outras idades.
Track Name: 70% de mar
Ter muita certeza é enrijecer
Toda solidez pode rachar
E a forma dura, irrefutável, é forte mas não dura
Sucumbe ao próprio peso ou começa a esfarelar

Fluir! Fluir para viver
Escorrer! Em frestas penetrar
Espirrar! E o golpe absorver
Dissolver, erodir, afogar

Inodora, insípida, incolor
Neutro ph, bom condutor
Refrata e faz visível todo o espectro de cor
Relâmpago e arco-íris, expressão de raiva e amor

Chover, se for pra enternecer
Virar nuvem se for para sonhar
Correr e turbinas mover
Derreter quando o inverno passar

Chover, regar, fazer crescer
Pra ver tudo do alto, evaporar
Quando encanado congelar
Se expandir até o cano arrebentar

Redemoinho, tudo leva ao fundo
Ser vagalhão, sobre si se dobrar
Descer em turbilhão por ego e sombra até o si mesmo
Trazê-lo à superfície e em ondas se espalhar

Descer, se autoconhecer
Achar o que no silêncio escuro está
Ascender em corrente e o trazer
Deixá-lo à superfície aflorar
 
Viver vazante e cheia quando a lua aparecer
Dançar com o vento que soprar
Ondular e até a margem correr
Lamber a areia, alisá-la e então recomeçar  
 
Track Name: Boas razões pra queimar gasolina
Nas curvas, nas voltas, nos túneis... da ida
Levando em quatro rodas quatro vozes, mais dez canções.
Há boas razões pra queimar gasolina:
Encher o tanque de ideias, inflamar mais cidades com sons.
 
Brincando com a resistência do ar, fora da janela
Minha mão vira asa, faz circunvoluções
 
O centro da revolução está a meio caminho entre estrada e horizonte
 
Por serras, por retas compridas, por cima de pontes
Conhecer mais da família formada por convicção
Voltar com a bateria recarregada nessas novas fontes
Trazer nas bagagens conversas e inspiração
 
Brincando com a resistência do ar, fora da janela
Minha mão vira asa, faz circunvoluções
 
O centro da revolução está a meio caminho entre estrada e horizonte
 
Estrada adiante olho o retrovisor
Me desloco no espaço pra encontrar a mim mesmo
Buscando um farol para o câmbio, ou ser o motor
Para chocar esse mundo em que irradia a dor.
Track Name: Pelos bigodes de Friedrich Nietzche
A vida não é só flor, também é náusea
E muita vez o bom é o perturbado
Que sorve e mal digere o veneno
Razão do erro próprio e do alheio
Na bolha de total assepsia
qualquer poeira causa alergia
se não tem contato com a doença
Um corpo não adquire resistência

A bile acumulada se vomita
Descarrega-se violentamente
Jamais odiaremos nosso amor
Mas nosso ódio amaremos sempre

As vezes fumar um pouco de tabaco
Aquece o corpo e tira a umidade
E um doce depois da batata frita
Não nutre mais alegra a barriga
Um fim de amor ou uma rejeição
Confiar e sofrer uma traição
Ou trair quem confia por vaidade
É fazer parte da humanidade

Sem pé na jaca a vida não é vida
Sem pé por mão não rola bananeira
Nem nunca alcança a sabedoria
Que não se deixa dizer uma asneira

Meu super-homem não é feito de aço
Mas frágil, cheio de sensibilidade
Chora abraçado com um cavalo
De pena do homem do chicote

O heroico mesmo é meio bandido
Um Brad Pitt que é Tyler Durden
E que destrói algo que acha bonito
Dá a cara a tapa e explode edifício
Pra ter saúde às vezes é preciso
travar contato com uma doença
Quero cheirar fumaça de óleo diesel
Me embriagar até que alguém me esqueça
Track Name: Le grand tour
Se cada gesto em si que importasse
E fosse pleno de significado
Unívoco, e nada o mudasse
A gente tava mesmo bem ferrado.

Mas dá, às vezes, pra retroceder
Mas dá, às vezes, para repensar
E o mesmo take ter sua dupla face
Da outra vez que for reprojetado

A gente só entende todo o drama
Que o close captou naquele olhar
No último capítulo ou fotograma
No prisma de uma grande angular

Roteiro aberto, cada atriz ou ator
Dirige a própria cena e improvisa
E como não existe diretor
Muito nonsense faz parte da fita

A gente só entende todo o drama
Que o close captou naquele olhar
No último capítulo ou fotograma
No prisma de uma grande angular

É tudo uma Odisseia sem Homero
“The end” que tem continuação
Como, às vezes a gente diz uma frase
E depois logo emenda um “só que não”

E se tudo encerra um “e se?”
Nenhuma cena se encerra ali
Certeza mesmo não se tem de nada
Toda história pode ter virada

A gente só entende todo o drama
Que o close captou naquele olhar
No último capítulo ou fotograma
No prisma de uma grande angular
Track Name: Vem na fé, tio, que a resistência é fértil
Pode cuspir, pode pisar
Não me mexo
Tentar todos truques de persuasão (perfuração)
Eu não cedo
Se se deixam erodir, iludir
Permaneço
Pode escavar, pode garimpar
Não te conto

Porque eu sou firmeza
Não é qualquer impacto que me abala, não
Só danço os tangos compostos na escala Richter
Não faço terremoto em copo de areia, não

Se tu tem britadeira e me esfacela
Meus fragmentos
Pra funda estilingue, arremesso
São munição
Se tu vem com baixeza eu caio em cima
Soterramento
E no fim de tudo sua carne
Eu que vou comer

Porque eu sou pedreira
Aqui é avalanche, aqui é rock ´n roll
Pedra no sapato, no meio do caminho
Pedra de responsa, pedaço de mau caminho

Meu centro é ardente, pulsante
Não me alieno
E quem tem raiz alimenta
O que vai florescer
Sou todo o terreno, me estendo
Além do horizonte
Mundão sem porteira ou fronteira
Pra gente correr